Quase quatro em cada dez diagnósticos de câncer poderiam ser evitados. Essa foi a conclusão a que chegou a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), em um relatório baseado em dados de 2022 de 185 países. O relatório concentra-se em fatores de risco evitáveis, particularmente dois hábitos muito comuns: o tabagismo e o consumo de álcool.
A análise identificou 30 fatores de exposição associados ao desenvolvimento de diversos tumores e estimou que 7,1 milhões de casos registrados em 2022 estavam ligados a causas evitáveis. Isso representa 37% de todos os novos diagnósticos de câncer no mundo. Especialistas acreditam que a modificação de certos comportamentos teria um impacto significativo na saúde pública.
Tabagismo: o principal fator de risco evitável
Segundo o relatório, o tabagismo é responsável por aproximadamente 15% de todos os novos casos de câncer no mundo. Isso não se limita ao câncer de pulmão: o uso de tabaco também está associado a tumores de bexiga, rim, fígado e pâncreas, entre outros. Os carcinógenos inalados entram na corrente sanguínea e afetam múltiplos órgãos.
Cigarros ainda são responsáveis pelas mortes de milhares de pessoas em todo o mundo
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Cigarro eletrônico, que tem venda proibida no Brasil pela Anvisa, volta ao centro do debate. — Foto: Jeenah Moon/The New York Times
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Cigarro eletrônico. — Foto: EVA HAMBACH / AFP
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O cigarro causa 70% dos cânceres de pulmão e aumenta o risco para outros 14 tipos de tumores. — Foto: Freepik
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Assim como o cigarro tradicional, o eletrônico aumenta risco de infarto e AVC — Foto: SHUTTERSTOCK
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O tabagismo foi de longe o maior contribuinte, seguido pelo álcool e o excesso de peso. — Foto: Freepik
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Ativistas fazem pilha com meio milhão de bitucas de cigarro, em Lisboa — Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP
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Jovem fuma cigarro eletrônico dentro de um Casino em Las Vegas — Foto: Sandy Huffaker/The New York Times
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Em meio a debate regulatório sobre o cigarro eletrônico no Brasil, consumo dos ‘vapes’ cresce e produto é comercializado livremente. O Globo — Foto: O Globo/AP
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Quanto mais cedo parar de fumar, menor é o risco de morte, aponta estudo. — Foto: Freepik.com
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Jovens entre 12 e 17 anos entram para o contrabando de cigarro para ter renda e acabam deixando os estudos Divulgação Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) — Foto: Divulgação
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Versão eletrônica também apresenta riscos à saúde
A OMS enfatiza que parar de fumar reduz significativamente o risco, mesmo em pessoas que fumam há anos. Além disso, alerta que a exposição ao fumo passivo continua sendo um problema de saúde pública, pois aumenta o risco também em não fumantes.
Álcool: risco direto e cumulativo
O consumo de álcool surge como outro importante fator de risco evitável, associado a 3% dos novos diagnósticos de câncer em todo o mundo. A relação é direta: quanto maior a ingestão, maior o risco, e não existe um nível completamente seguro.
A organização internacional alerta que o álcool pode danificar tecidos e facilitar a ação de substâncias cancerígenas em áreas como boca, garganta, esôfago, fígado e cólon. Além disso, observa que o consumo está aumentando em diversos países de baixa e média renda, o que pode impactar os números futuros.
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Para Eliana Neves de Souza, de 63 anos, a doença nunca é nomeada, e a morte não é sequer citada. O que ganha destaque na boca dela é a felicidade, gratidão e o amor
O estudo foi liderado por André Ilbawi, membro da OMS, que afirmou que, pela primeira vez, foi possível quantificar claramente a parcela do risco proveniente de causas controláveis. Nesse sentido, ele enfatizou que as decisões individuais — como parar de fumar ou moderar o consumo de álcool — devem ser complementadas por políticas públicas robustas: regulamentação, campanhas de prevenção e acesso a informações baseadas em evidências.
A mensagem é clara: embora o câncer seja uma doença complexa e multifatorial, uma parcela significativa dos casos está associada a hábitos modificáveis. Mudar comportamentos não elimina completamente o risco, mas pode reduzir consideravelmente o impacto geral da doença.
